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Consciência e plenitude – Eckhart Tolle


Você precisa de tempo para a maioria das coisas na vida: é preciso tempo para aprender uma nova atividade, para construir uma casa, para se especializar em alguma profissão, para preparar um chá.
Mas o tempo é inútil para a coisa mais valiosa da vida, a única que realmente importa: a realização pessoal, o que significa saber quem você é essencialmente além da superfície do “eu” – além do nome, do tipo físico, da sua história.
Você não pode encontrar a si mesmo no passado ou no futuro. O único lugar onde você pode se encontrar é no Agora.
Os que buscam uma dimensão espiritual querem a autorrealização ou a iluminação no futuro.
Ser uma pessoa que está em busca significa que você precisa do futuro.
Se é nisso que você acredita, isso se torna verdade para você: precisará de tempo até perceber que não precisa de tempo para ser quem você é.
Quando olha para uma árvore, você toma consciência da existência da árvore. Quando pensa ou sente alguma coisa, toma consciência do pensamento ou da sensação.
Quando passa por uma experiência boa ou ruim, toma consciência dessa experiência.
Essas afirmações parecem verdadeiras e óbvias, mas, se você examiná-las atentamente, perceberá que, de uma forma sutil, elas contêm uma ilusão básica que se torna inevitável quando se usa a linguagem.
O pensamento e a linguagem criam uma aparente dualidade, como se houvesse uma pessoa e uma consciência separadas. Isso não existe.
A verdade é que você não é uma pessoa que toma consciência da árvore, do pensamento, do sentimento ou da experiência.
Você é a consciência na qual e através da qual essas coisas existem. Você se percebe como a consciência na qual todo o conteúdo de sua vida se desdobra?
Quando você diz “Eu quero conhecer a mim mesmo”, você é o “eu”.
Você é o conhecimento.
Você é a consciência através da qual tudo é conhecido. E que não pode conhecer a si mesmo. Porque você é a própria consciência. Não existe nada a ser conhecido além disso.
O “eu” não pode se transformar num objeto de conhecimento, de consciência. O “eu” é a própria consciência. Assim, você não pode se tornar um objeto para si mesmo.
Quando isso acontece, surge a ilusão do “eu” autocentrado – porque mentalmente você fez de si mesmo um objeto. “Este sou eu”, você diz. A partir dessa afirmação, você passa a ter uma relação com você mesmo e a contar para os outros e para si mesmo a sua história.
Quando você sabe que é a consciência na qual a vida externa acontece, torna-se independente do que existe externamente e perde a necessidade de buscar sua identidade nos fatos, nos lugares e nas situações.
Em outras palavras: as coisas que acontecem ou deixam de acontecer perdem a importância, perdem o peso e a gravidade. Sua vida passa a ter outra graça e leveza.
O mundo é então visto como uma dança cósmica, a dança da forma – só isso.
Quando você sabe quem realmente é, tem uma enorme e intensa sensação de paz.
Essa sensação poderia ser chamada de alegria, porque alegria é isto: uma paz vibrante e intensa. E a alegria de saber que seu ser é a própria essência da vida, antes de a vida assumir uma forma. E a alegria de Ser – de ser quem você realmente é.
Assim como a água pode assumir a forma sólida, líquida ou gasosa, a consciência pode ser considerada “sólida” como matéria física, “líquida” como mente e pensamento, ou sem qualquer forma como consciência pura.
A consciência pura é a Vida antes de se manifestar, e essa Vida olha para o mundo da forma através dos seus olhos, porque a consciência é quem você é.
Quando você se vê assim, então se reconhece em todas as coisas. É um estado de total clareza de percepção.
Você deixa de ser alguém com um passado que pesa e através do qual todas as experiências são interpretadas.
Quando você percebe sem interpretar, pode sentir o que está percebendo.
O máximo que podemos dizer usando palavras é que há um campo de calma-alerta em que a percepção acontece. Através de “você”, a consciência sem forma torna-se consciente de si mesma.
A vida da maioria das pessoas é conduzida pelo desejo e pelo medo.
O desejo é a necessidade de acrescentar algo a você para ser mais plenamente você mesmo. Todos os medos são medo de perder alguma coisa e, portanto, tornar-se menor, ser menos. Esses dois movimentos nos impedem de perceber que Ser não é algo que possa ser dado ou tirado.
O Ser em sua plenitude já está dentro de você. Agora.
Eckhart Tolle em O Poder do Silêncio.

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