Como trabalhar a simbologia dos sonhos....


O psicólogo - ao trabalhar com a interpretação dos símbolos do Inconsciente aparecidos nos sonhos - o faz não para usar uma explicação que nos defenda deles e de seus surpreendentes mistérios; nem para se colocar (e ao seu cliente) em uma posição de poder quanto à experiência do sonho, e sim, faz a interpretação dos sonhos para convidar a mente consciente a um maior contato com a fonte primordial de toda energia: o INCONSCIENTE, gerador da energia vital da qual a CONSCIÊNCIA se serve para existir e funcionar.

A este plano sempre presente em nossas vidas, mas nem sempre aceito como real, nós psicólogos damos o nome de INCONSCIENTE.
A CONSCIÊNCIA DE VIGÍLIA tem que ser conduzida a se soltar e a relaxar seus medos frente a este fato da vida, pois a conseqüência de não faze-lo, pode ser A ETERNA PRISÃO AO PASSADO E AOS AUTOMATISMOS E CONDICIONAMENTOS ADQUIRIDOS.
É bom não esquecer que podemos “estar fazendo tudo certinho” e nem assim nos aproximarmos da autoconsciência nem de nossa possibilidade existencial de viver em harmonia interior.

O cliente, ao apresentar um sonho ao Psicólogo, não está em busca de explicações, de nenhum tipo, a respeito do fenômeno do sonhar.
Não importa, para o cliente, saber se o cérebro produz esta ou aquela enzima durante o sonhar, se este ou aquele hormônio prevalece, nem saber qual área do cérebro está sendo estimulada. Estas informações são relevantes ao estudioso que trabalha em seu laboratório, mas de valor prático pequeno para o cliente, que precisa, isto sim, ser ensinado a se soltar e a ficar atento à VIVÊNCIA DO SONHAR.

Mais importante do que as explicações que se possam ter a respeito disto, torna-se vital que a CONSCIÊNCIA do cliente se abra e fique mais disponível para com os “produtos” da sua vida emocional, sentimental e vital; tornando-se - ao longo do tempo - cada vez mais, um veículo e um instrumento para as manifestações espontâneas do seu mundo íntimo.

A EXPERIÊNCIA do sonhar é sempre muito mais vasta do que aquilo que se possa explicar dela. No sonhar ocorrem inclusive algumas experiências e conexões entre dimensões espaciais (ou temporais) verdadeiramente surpreendentes.
“Mais compreensão e menos explicação” seria uma boa “palavra de ordem” para se colocar, talvez, em um quadrinho na parede, para nos induzir a uma reflexão mais aprofundada a este respeito.
O trabalho do Psicólogo - que trabalha com a interpretação dos sonhos - é o de “agilizar e desimpedir” a RELAÇÃO entre estas áreas de consciência, pois quanto mais a pessoa se aproxima do contato consigo mesma, menos sujeita ela fica aos valores vigentes e mais, ela se aproxima, de um processo verdadeiramente pessoal de deliberação e de escolha.
Apenas a consciência flexibilizada e individualizada pode servir de instrumento às forças vitais inconscientes - tanto para o bem quanto para o mal - e é também o Indivíduo que realiza a busca (e o encontro) de caminhos, de saídas, de alternativas e de possibilidades, em todas as áreas da vida.
No entanto, nota-se sempre uma enorme ingratidão do “pensamento coletivo de todas as épocas” para com o valor vital do Plano INCONSCIENTE no crescimento e expansão da CONSCIÊNCIA HUMANA.

Continuando........ Tenho salientado que o que o precisamos é aprender a nos tornarmos receptivos (e compreensivos) para com o conteúdo aparecido nos nossos sonhos quer tenhamos ou não tenhamos alguém para nos ajudar nesta tarefa.

Mesmo o homem psicologicamente mais desenvolvido do mundo e até mesmo uma humanidade (que podemos imaginar muito mais avançada e sábia - no sentido humano) ainda assim TERÁ UMA VASTA ÁREA DE POSSIBILIDADES NÃO EXERCIDAS, pois ainda se colocará para a CONSCIÊNCIA do Homem, a existência real, tanto do assim chamado “plano do CONHECIDO” quanto o do “DESCONHECIDO”, não familiar, não consciente e, portanto, INCONSCIENTE.

O Inconsciente não é constituído apenas do que esquecemos ou deixamos de lembrar, não apenas do que reprimimos (aquilo, em nós, de que nos afastamos), e sim, representa um plano, em nós, que congrega tanto a origem e o passado de nossa espécie quanto as alternativas e possibilidades humanas que ainda não estão sendo exercidas.

Possibilidades e alternativas existenciais humanas, que hoje não estão sendo exercidas, existem - em potencial - e podem ser acionadas pelos indivíduos predispostos a atualiza-las em sua vida pessoal. Fazer valer os momentos em que estamos VERDADEIRAMENTE presentes em nossa vida aumenta muito o gosto e o prazer de viver.

É nesta direção que atua o psicólogo que trabalha com a interpretação dos sonhos.

Como dar a devida importancia aos sonhos?
Bem... Primeiro é preciso ficar disponível, sem tensões, sem forçar a barra, sem querer ganhar ou perder; apenas permitindo uma abertura aos significados que o Inconsciente possa apresentar em seus sonhos. A ponte entre estas duas dimensões de nós mesmos é um estado intermediário que precisa ser exercitado e o fazemos especialmente quando aprendemos a dar significado e sentido às peripécias e cenas vividas em nossos sonhos, aceitando-as como manifestação espontânea do Inconsciente, admitindo-as como autônomas e independentes da atividade consciente e, principalmente quando aprendemos a compreender o sentido e o funcionamento peculiar deste reino: o Inconsciente.
Do que você precisa:

1° - Treinar para permanecer algum tempo a mais no estado intermediário entre o sono e a vigília. Isto se consegue ficando relaxado, porém sem adormecer, observando sem interferir em nada, imagens, memórias, o livre fluir dos pensamentos e sentimentos enquanto ainda acordado. Esta pode se tornar uma atividade bastante prazerosa. Com o tempo e a insistência você consegue permanecer no estado intermediário entre a vigília e o sono durante períodos progressivamente maiores. O descanso e o repouso assim obtidos equiparam-se aos advindos do sono propriamente dito, porém com maior participação do campo consciente.

2° - Este treino também se estende ao período em que passamos do sono para a vigília. É conveniente que tenhamos alguns minutos para acordar mais lentamente e atravessar a ponte entre os dois estados de consciência o mais lentamente possível. Isto, com o tempo, vai disponibilizar os sonhos ocorridos no período final do sono, mais fáceis de recordar em um primeiro momento. Obviamente é desaconselhável um despertador do tipo "martelada na bigorna"...

3° - Depois de desperto, mesmo enquanto você já se ocupa dos hábitos de higiene, de vestir; ou ainda, enquanto se alimenta procure fazer associações entre as peripécias ocorridas nos seus sonhos e a sua vida consciente.

Já sabendo que os significados dos sonhos sempre tem uma (maior ou menor) correspondência com a vida diária, a sua tarefa é descobrir qual(is) possam ser estas conexões. Prepare-se para se ver surpreendido com significados e analogias que lhe escapariam anteriormente. Vá exercitando um relaxamento do seu julgamento e ficando, cada vez mais, aberto ao sentido que o próprio sonho quer dar. Deixe de lado o seu ponto-de-vista e dê abertura ao "ponto-de-vista" do sonho, como podendo ser diferente do seu e também surpreendente. Falando assim parece muito simples, contudo é difícil relaxar nossos controles, medos, apegos, desejos e expectativas conscientes a ponto de nos mostrarmos realmente disponíveis, aceitando a existência real de mais de uma dimensão dentro de nós. E mais ainda quando ainda desconhecemos o quanto este comportamento pode acrescentar às nossas vidas.


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