Osho- Amor e mistério




A cabeça diz: "Pense antes de saltar." E o coração diz: "Salte antes de pensar." Esses dois caminhos são diametralmente opostos. Amar é saltar numa situação perigosamente viva, sem calcular nada de antemão. Cada pessoa é um mistério tão infinito, inextinguível, inescrutável, que não é possível que um dia você diga: "Eu conheço essa mulher" ou "Eu conheço esse homem". O máximo que você pode dizer é: "Eu dei o melhor de mim, mas o mistério continua um mistério." Na verdade, quanto mais você conhece, mais misterioso o outro fica. É por isso que o amor é uma constante aventura. Como é possível conhecer o outro? Você pode amar e, através do amor, esse milagre acontece. Se amar o outro, uma grande compreensão surge naturalmente. Não que tente compreender o outro: você simplesmente ama o outro como ele é, sem julgamentos. O amor de verdade não é uma fuga da solidão, o amor de verdade é uma solitude abundante. A pessoa está tão feliz em ficar sozinha que tem vontade de compartilhar. A felicidade sempre quer compartilhar. Ela é excessiva, não pode se conter, como a flor não pode
conter sua fragrância — ela tem que se espalhar pelo ar. Solidão é quando você está sentindo falta do outro. Solitude é quando você está encontrando a si mesmo. O amor é um subproduto da liberdade. É a alegria transbordante da liberdade, é a fragrância da liberdade. Primeiro é
preciso que haja a liberdade para que depois haja o amor.A mente é boa quando se trata de dinheiro, de guerra e de ambição, mas a mente é absolutamente inútil quando se trata de amor. Dinheiro, guerra, desejo, ambições — você não pode pôr o amor nessa mesma categoria. O amor vem de uma outra fonte do seu ser. Os problemas do ciúme e da possessividade não são de fato problemas, mas sintomas — sintomas de que você ainda não sabe o que é amor. Achamos que sabemos o que é amor e por isso surge o problema do ciúme. Não é isso. O problema surge porque não existe amor. Ele mostra que o amor ainda não brotou, mostra simplesmente a falta de amor. Por isso você não pode solucioná-lo. Tudo o que é necessário é esquecer o ciúme, porque essa é uma luta negativa, é uma luta com a escuridão. Não faz sentido. Em vez disso, acenda uma vela. Isso é que é amor. Depois que o amor começa a fluir, o ciúme e a possessividade deixam de existir. Você fica simplesmente surpreso ao ver que eles se foram. Você não consegue mais encontrá-los. E exatamente como quando acende uma vela e, ao procurar pela escuridão por todo o cômodo, descobre que não pode mais encontrá-los. Você os procura até com uma luz, mas não consegue encontrá-los. Não pode encontrá-los porque não estão mais ali. Eram, simplesmente, a falta de luz. O ciúme é a falta de amor. O amor é o único mandamento. Se não houver amor, nem mesmo os Dez Mandamentos ajudarão em alguma coisa. Os Dez Mandamentos não são necessários — eles só são necessários porque você não está pronto para cumprir o primeiro e único mandamento. Eles são apenas substitutos fracos para o único mandamento: o amor. Antes que você possa se relacionar com alguém, relacione-se consigo mesmo. Esse é o requisito básico para se sentir realizado. Sem ele, nada é possível. Com ele, nada é impossível.

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