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A Comunicação Intrapessoal



Se quisermos bem relacionarmo-nos com o próximo, precisamos primeiramente melhorar a qualidade da “comunicação conosco mesmos”, também denominada de “comunicação intrapessoal”. Este artigo tem o foco na comunicação conosco mesmos, para que - com mais facilidade - possamos atingir a finalidade de bem relacionarmos com o próximo.

O ser humano é dono do seu próprio destino. A ele - e somente a ele - é dado o poder de acreditar em seu potencial e crescer. Se, com freqüência, existem seres que vivem cabisbaixos olhando a lama, também existem outros que seguem altaneiros olhando o firmamento, onde brilham as estrelas. Tanto um quanto outro têm problemas. Se ambos tem problemas por que então uns vivem confiantes e outros infelizes? Está sobretudo na mentalização de cada um deles o diferencial entre um indivíduo que faz sua vida acontecer, e outro que deixa sua vida acontecer. O primeiro está a caminho da felicidade, o segundo parou na estrada.

O primeiro, através de sua mentalização positiva, tem boa auto-estima; o segundo, influenciado pela sua mentalização negativa, tem baixa auto-estima.

Uma importante observação: É preciso que tomemos muito cuidado em não transformar determinadas informações, como as acima, em regras gerais. É essencial que saibamos que às vezes existem pessoas que andam cabisbaixas, não porque não queiram olhar as estrelas, mas sim porque não conseguem olhá-las. São aqueles estados emocionais que empanam – temporariamente – nosso campo de visão. Consoante com este raciocínio, é mais importante o indivíduo andar cabisbaixo por estar vivendo um período dolorido de auto-enfrentamento (e futuro crescimento), do que o indivíduo estar sempre sorrindo num processo de auto-ilusão.

Ter boa auto-estima é o passo fundamental para o ser humano acreditar em seu potencial e crescer de forma contínua. E ter boa auto-estima implica em bem comunicarmos conosco mesmos (a já citada comunicação intrapessoal), o que por sua vez implica em desenvolvermos o auto-conhecimento e o auto-amor, assuntos logo a seguir desenvolvidos.

I - O AUTO-CONHECIMENTO:

O auto-conhecimento é o passo inicial para a nossa mudança comportamental, e muitas vezes fugimos dele... Geralmente não nos conhecemos. Por exemplo, se somos avarentos, dissemos que somos “econômicos”; se somos prepotentes, afirmamos que sabemos reconhecer o nosso valor!

A partir do momento em que passamos a melhor nos conhecer, abre-se uma enorme estrada para nosso desenvolvimento. No entanto, a etapa seguinte ao nosso auto-conhecimento é a mais difícil: é a fase em que precisamos ter atitudes que impliquem em nosso desenvolvimento interior. E a mudança interior é a nossa maior dificuldade. Não é “uma das maiores” dificuldades, é (repito) “a maior” dificuldade do ser humano. Portanto, o auto-conhecimento é o importantíssimo primeiro passo, mas o fundamental é nossa atitude após nos auto-descobrirmos.

Para nos conhecermos, o Budismo nos ensina que precisamos passar a ter rotineiramente dois procedimentos:

Atenção Plena: É a arte budista de observarmo-nos incansavelmente, procurando dirigir os olhos para nós mesmos, que é um hábito que, para ser desenvolvido, exige esforço e grande força de vontade.

Interiorização: É o ato de enfrentarmos o nosso mundo interior e de admitirmos para nós mesmos a natureza de nossos sentimentos. Isto é, não devemos falar a nós mesmos coisas como “eu nunca sinto mágoa” ou “a raiva não faz parte de minha vida”. Esta atitude de negar nossos sentimentos inferiores chama-se auto-ilusão, um proceder altamente destrutivo. A partir do momento em que admitimos nossos sentimentos inferiores, abre-se uma porta para aprendermos a ter autocontrole e nos dá condição de iniciarmos o processo de mudança.

Complementa a “interiorização” o ato de estudarmos nossas reações perante a vida. Por exemplo: quando alguém nos chama de “incompetente” e sentimos vontade de estrangulá-lo, devemos perguntar a nós mesmos “se sei que sou competente, por que senti tamanha raiva quando meu colega chamou-me de incompetente?” Assim agindo estaremos nos dando a oportunidade de estudarmos e conhecer o porquê de nossas reações, que é um importante passo para a mudança de comportamento.

Os dois procedimentos acima (Atenção Plena e Interiorização) levam-nos a adquirir a maior riqueza que podemos ter: o auto-conhecimento, que é a base do desenvolvimento em todos os campos de nossa vida.

Sobre o tema auto-conhecimento, disse a educadora Ermance Dufaux (livro Mereça Ser Feliz/Wanderley Soares de Oliveira, Editora Dufaux):
“Não existe felicidade, sem pleno conhecimento de si mesmo. O mergulho nas águas abissais do mar íntimo é indispensável. E a convivência, nesse contexto, é a Escola Bendita. Saber os motivos de nossas reações frente aos outros, entender os sentimentos e idéias nas relações é preciosa lição para o engrandecimento da alma na busca de si próprio”.

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