A magia dos medicamentos...


Os psicólogos e os psicoterapeutas não receitam medicamentos, mas amiúde surge sempre algum cliente que confunde os profissionais da psicologia com os médicos. Já esclareci num post antigo a diferença entre psicólogos e médicos e não o vou fazer desta vez, nem esse é o objetivo deste post. Pensei no tema que poderia servir para abertura do ano de 2012 e quis, de alguma forma que também fosse adequado ao clima socioeconómico que se vive .


Obviamente que as pessoas não estão todas deprimidas. Ninguém deprime por causa de uma crise económica. O que acontece é que as pessoas estão tristes, muito tristes e, confundem os sintomas de tristeza com depressão. No entanto a situação vivida atualmente é propicia ao aparecimento de problemas do foro psíquico e a depressão é uma doença que está a aumentar de forma significativa.

A incapacidade de pensar sobre os problemas leva a que as pessoas procurem soluções rápidas e miraculosas para solução dos seus problemas “ a doutora não tem um comprimido que me tire isto rapidamente” disse-me uma vez uma paciente à saída do consultório. De fato não tenho. O que eu tenho para oferecer é um aparelho de pensar que ajuda o cliente a pensar os seus e a elabora-los numa relação terapêutica.

Grande parte das pessoas que me procuram já sabem que aquilo que tenho para oferecer não passa por medicamentos e, que não se resolve rapidamente. Não é recorrendo a medicamentos que se resolvem os problemas psicológicos. A depressão, baixa auto-estima, confiança no seu corpo, conflitos familiares e relacionais, fobias, abusos sexuais ou emocionais, ansiedade e pânico não se resolvem com soluções mágicas ou comprimidos.Resolve-se sim, com a elaboração do sofrimento que o problema causa e com a procura de novas soluções e alternativas.

A felicidade é algo que não existe 24 horas diárias e dura eternamente. É algo construído na aprendizagem da vida e nas relações sadias que se estabelecem desde a infância, incluindo as relações parentais. Assim, a procura de equilíbrio, passa muitas vezes por quebrar o ciclo relacional doente (quando é o caso) procurando ajuda terapêutica, um ato quase sempre de grande coragem uma vez que ainda existe o estigma associado à procura de ajuda psicológica. O psicólogo e os psicoterapeutas só tratam de “malucos” dizem os menos bem informados. Logo, perante tal estigma, é sempre mais fácil de aceitar que existe um problema psíquico quando se escolhe um médico para falar sobre as mágoas.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

12 maneiras de jogar energia fora...

Agradecer sempre!!!