quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Lidando com os pacientes terminais

Lidando com o paciente terminal Lidando com o paciente terminal

Lidando com o paciente terminal

A morte não acomete apenas idosos. Isto é fato. Mas em muitos casos, na melhor das hipóteses, ela ameaça fazer sua visita indesejada já em idade avançada. Entende-se por paciente terminal aquele que se encontra num estado grave de doença para a qual não é mais possível pensar em cura e cuja evolução caminha para a morte.

É extremamente difícil para familiares, cuidadores e mesmo para os profissionais de saúde lidar com estes pacientes. Alguns fatores dificultam a comunicação entre o doente terminal e as demais pessoas, o que pode gerar ainda mais sentimentos de tristeza e angústia de ambas as partes, os quais serão mais explorados a seguir.

Lidar com um paciente terminal faz aflorar uma série de sentimentos, além de ser um fator responsável pela desestruturação emocional daquele que tem contato com paciente. A pessoa que acompanha o paciente terminal vive de perto a iminência de morte daquela pessoa querida e as conseqüências que isso pode acarretar – como, por exemplo, a dor da perda, o sentimento de abandono, o medo de futuramente padecer do mesmo mal, a insegurança diante de uma nova realidade financeira (visto que muitas famílias contam prioritariamente com a renda do idoso doente para a sua subsistência). Toda esta situação pode deixar o cuidador triste, choroso, irritado e ansioso, o que afeta negativamente na relação dele com o paciente, justo no momento em que este precisa de atenção e acolhimento em sua dor.

Alguns familiares, mesmo que de modo inconsciente, adotam uma postura de afastamento do idoso doente. Normalmente ele sente medo de se envolver ainda mais naquele momento difícil e de sofrer mais com o fim inevitável cada vez mais próximo. Infelizmente ele se esquece de que, com esta postura, está abrindo mão de passar seus últimos momentos perto daquele que tanto ama, o que pode, após o óbito, ser motivo do surgimento de sentimentos de culpa, de arrependimento e depressão.

Partindo da sabedoria popular de que “quando alguma coisa está dando errado sempre surge algo a piorar”, infelizmente a doença terminal do idoso costuma vir acompanhada dos conflitos familiares. A família fica diretamente afetada pela doença do idoso, principalmente quando a patologia já o acompanhar há muitos anos (como nas doenças crônicas como, por exemplo, a Doença de Alzheimer), além disso emergem readaptações na vida dos familiares para se adequarem à realidade do idoso, o que acaba prejudicando mais alguns que outros. Estas diferenças são ainda mais exacerbadas quando a família é desunida, quando há poucas pessoas para cuidar ou quando o idoso doente não foi bom pai ou boa mãe anteriormente, e são suficientes para afastar ainda mais a família, gerar inimizades e deixar o idoso terminal ainda mais deprimido.

Em relação ao paciente idoso terminal, é possível dividir dos grupos: aqueles que sabem de sua real condição e os que não têm conhecimento de seu estado de saúde.

Os idosos que têm conhecimento de sua condição de terminalidade vivenciam algumas alterações descritas pela psiquiatra Elisabet Kübler-Ross como os cinco estágios de conciliação com a morte. Sabe-se que nem todos os pacientes vivenciam estes estágios e eles não precisam acontecer necessariamente nesta ordem, mas são eles: negação, raiva, barganha por mais tempo, depressão e aceitação. Estes estágios serão detalhadamente descritos num próximo artigo, mas, de maneira geral, pode-se entender que o paciente terminal, antes de aceitar sua condição, enfrenta uma ferrenha batalha interna, o que altera seu estado de humor, dificultando também as relações interpessoais com as pessoas ao seu redor. O sofrimento é intenso tanto da parte do idoso, quanto da parte daqueles ao seu redor.

Já no segundo grupo, há duas subdivisões: idosos lúcidos, que não conhecem seu diagnóstico por opção do médico ou da família e idosos portadores de demência, que não se dão conta do que está acontecendo. Em linhas gerais, estes sofrem menos do que os que se davam conta do que estava acontecendo, mas em ambos os casos a família sofre a mesma dor de perder alguém querido. Os idosos lúcidos podem não saber seu diagnóstico real, mas desconfiar de que algo grave está acontecendo. Nestes casos, se a família e os médicos optam por não revelar a eles o real diagnóstico, devem tomar o cuidado de não deixar transparecer nada ao idoso, o que pode ser um problema a mais para a família, que em muitos momentos pode ter dificuldades em não revelar certas emoções que a angustiam em tempo integral. Já os idosos portadores de demência em estágio avançado não se dão conta de seu real estado, mas mesmo assim é importante que a família evite ter reações de muito choro, desespero ou desentendimentos familiares na presença do idoso, pois estas reações emocionais podem deixá-lo mais abalado.

Com tudo isto em vista, seguem algumas dicas para os familiares e profissionais que lidam com um idoso em estado terminal:

  • Entenda a situação difícil que o idoso está passando e respeite seu estado de humor diferenciado, que muitas vezes pode irritar familiares. Respeite sua agressividade, sua dor física e psíquica, sua tristeza, seu silêncio e seus medos. Não o force a se mostrar forte, em certos momentos isso realmente não é possível.
  • Fale menos e ouça mais. Muitas vezes comentários irreais como “como você melhorou!” ou “hoje mesmo você sai do hospital” podem não ser legais, pois o idoso sabe que aquilo não é verdade. Respeite quando o idoso quiser ficar quieto e ouça o que ele tem a dizer. Às vezes, quando o idoso fala sobre sua própria morte o cuidador se angustia e corta o assunto do idoso, o que não é benéfico para ele. Por mais difícil que seja ouvir esses assuntos, deixe-o falar sobre sua situação e seus medos, esta é uma necessidade do paciente terminal.
  • Evite ao máximo discussões desnecessárias com a família. Já existe um sério problema a ser enfrentado – o estado de saúde grave do idoso – por isso, não vale à pena despender energia em outros estressores. Quando se deparar com uma situação de conflito com outros parentes, evite bater de frente e alimentar a discussão. Conversas são importantes, porém em momentos mais apropriados.
  • Evite chorar, gritar e demonstrar desespero na frente do idoso. Independente de seu estado geral, ele pode perceber aquilo e se sentir ainda pior por ver seu ente querido sofrendo por causa dele.
  • Este não é o momento para discutir divisão de bens. Ao menos que o idoso decida fazer umtestamento, espere para resolver isso depois de sua morte. O idoso que se separa com essas situações pode sentir que a família está mais preocupada com os bens que com ele mesmo, e que só estão esperando que ele morra para usufruir de suas coisas.
  • Incentive os familiares a ficarem próximos do idoso, neste momento ele quer se sentir acolhido por aqueles que ama. Muitos pacientes terminais também têm o desejo de se reconciliar com pessoas pelas quais guardava alguma mágoa, caso esta seja a sua vontade, auxilie-o para que consiga realizar suas últimas vontades.
  • Para que o cuidador consiga dar suporte prático e emocional ao idoso terminal, ele precisa receber apoio e amparo e outras pessoas, sejam familiares, amigos ou profissionais. Não hesite em pedir e aceitar a ajuda de outras pessoas.
  • Na medida do possível, respeite as vontades do paciente terminal. Converse com o médico sobre cuidados paliativos e qualidade de vida, peça que o mesmo avalie questões acerca de sua permanência em sua própria casa e sobre sua alimentação, isto pode deixá-lo mais feliz em seu final de vida.Liçoes sobre o paciente terminal e a vivência da morte para ele, sua família e os profissionais que o rodeiam. Entender as alterações psicológicas que acompanham este processo contribui para uma postura mais humanizada perante o paciente e a família, além de facilitar a comunicação. Importante destacar que, independente da idade, a morte carrega consigo tristeza, ansiedade e medo do desconhecido.

    A psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross observou que os pacientes terminais e suas famílias vivenciavam cinco etapas no processo de conciliação com a morte: negação, raiva, barganha por mais tempo, depressão e aceitação. Cada um destes estágios será brevemente explicado a seguir.

    O estágio de negação se caracteriza pelo momento em que o paciente terminal nega que está doente, ou então é a família que o nega. Primeiramente devemos entender que a negação é um mecanismo de defesa, ou seja, de maneira inconsciente negamos aquilo que não damos conta de lidar naquele momento. E lidar com a iminência de nossa própria morte ou com a morte daqueles que amamos é muito difícil. Normalmente, após um período de negação, a pessoa começa a enxergar a realidade. É necessário respeitar este momento do paciente e da família, não se deve tentar fazê-los encarar a realidade a qualquer custo, pois eles podem não estar prontos para isto.

    É muito difícil lidar com o paciente idoso e a família no estágio da raiva. Posturas agressivas para si mesmo e para com os outros, revolta e irritação intensa são esperadas neste momento. Um coisa é fato: se analisarmos friamente a situação, dá raiva constatar que sua vida ou daquele que você ama está chegando ao fim e ninguém pode fazer nada para reverter o quadro. Assim, quem convive com estas pessoas deve evitar ao máximo entrar em conflitos e aceitar os momentos de revolta do paciente, mesmo que estas atitudes sejam contrárias ao estilo de vida anterior do indivíduo.

    O estágio de barganha é caracterizado pelo fato de o paciente idoso e sua família, de maneira consciente ou inconsciente, tentarem fazer trocas – seja com Deus ou com os profissionais que o assistem – com o intuito do restabelecimento de sua saúde. Pessoas nesta fase fazem peregrinações de fé, freqüentam diversas religiões, procuram práticas alternativas, fazem promessas (como, por exemplo, de oferecer ajuda financeira a uma igreja ou a alguém que necessita, busca mudar de atitude em seu dia a dia). Além desta barganha com o espiritual, algumas pessoas tentam também barganhar sua vida com o médico, oferecem presentes, pagamentos superiores aos honorários, numa forma de fazer uma troca disso tudo por sua vida.

    O momento de depressão, como o próprio nome diz, é caracterizado por uma postura triste em relação ao seu estado. Ele já assimilou a gravidade da situação e sente-se triste e frustrado por não poder continuar seu projeto de vida, por ter de se separar daqueles que gosta. Por um lado, lidar com essas pessoas é mais fácil, elas não mais se opõem, não são agressivas, mas são extremamente tristes e emotivas. Por outro lado, este é um momento no qual pode haver um maior envolvimento das pessoas ao redor (sejam cuidadores, profissionais, amigos e familiares), o que pode ser prejudicial ao profissional.

    Finalmente, no estágio de aceitação, o idoso em estado terminal aceita sua real condição sem raiva e sem tristeza. Ele pode aproveitar seus últimos momentos de vida perto daqueles que ama, pode querer conhecer novos lugares e se reconciliar com as pessoas com as quais outrora seu relacionamento podia estar abalado. A pessoa na fase de aceitação demonstra entendimento pelo que está acontecendo, porém com sabedoria par aceitar que neste momento nada mais pode ser feito para reverter o quadro, porém é o momento para se fazer coisas que não foram realizadas anteriormente.

    Os que lidam com pacientes terminais idosos e suas famílias devem se lembrar que:

    • Estes estágios não acontecem necessariamente na mesma sequencia, alteram muito o estado emocional do idoso e da família, podendo dificultar as relações interpessoais. É necessário bom senso para acolher o idoso e sua família, respeitando sempre o momento difícil pelo qual ele está passando.
    • Nem todas as pessoas passam por todos estes estágios, portanto, nem todos irão aceitar a morte de maneira tranquila. Crenças religiosas podem ajudar influenciar muito positivamente na maneira como cada um enxerga esta situação.
    • Essas reflexões podem auxiliar todos os que lidam com o idoso em estado terminal e sua família e, principalmente, minimizar a ocorrência de problemas de comunicação e de conflitos familiares, que neste momento tão delicado dificultam muito mais todo o processo de vivência da morte.

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Sigmund Freud (Áustria 1856-1939)Sigmund Freud (Áustria 1856-1939)
O pai da psicanálise
"Primeiro, olhe bem as profundezas de sua alma e aprenda a saber quem você é; depois, entenda o que há de errado com você." __Freud__

A inteligência é o único meio que possuímos para dominar os nossos instintos.

Sigmund Freud




"Tolerância é aceitar as diferenças, entender que nem todas as pessoas são como eu gostaria que fossem. Não posso mudá-las, mas posso mudar minha visão em relação a elas.Descobrir pelo menos uma qualidade em alguém é o primeiro passo para transformar a rejeição em aceitação..

Um homem que está livre da religião tem uma oportunidade melhor de viver uma vida mais normal e completa. Sigmund Freud

Carl Gustav Jung (Suiça 1875-1961), herdeiro da Psicanálise



“Ocupar-se com os sonhos é uma espécie de tomada de consciência de si”




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