Catarse com Amor

Ando refletindo no quanto é difícil dissipar algumas energias negativas. Realmente dissipá-las da nossa alma e não guardá-las em algum lugar dentro de nós como se elas não existissem. Isso não é bom, é como conservar uma “Caixa de Pandora”, sempre devastadora quando aberta. Nossa luta maior passa a ser mantê-la fechada, não restando forças para dissipar a energia negativa alí acumulada. Isso não é saudável sob nenhum aspécto. Penso que essa caixa não devia existir dentro de nós, porque se acumulada, nos envenena silenciosamente e devastadoramente. Muitas doenças físicas têm como causa energias negativas acumulada na alma. Mas isso ainda não é o pior, porque de qualquer forma o máximo que pode nos acontecer é morrermos devido à essas doenças, e isso, sem dúvida, não é o “fim do mundo”, mas o problema psíquico mudando de dimensão. Nosso corpo físico pode morrer, mas o problema não, porque a causa está no Espírito. Morremos e continuamos com as energias negativas, por isso penso que catarses-doenças não são sinônimo de cura psíquica, porque são efeitos. O que pode acontecer é, diante da doença e da possibilidade da morte, tenhamos reações de mudança e tranformação psíquica e energética. Repensemos nossas mágoas, resolvamos nos reconciliar com as pessoas, vejamos dádivas onde antes víamos problemas e muito mais. Mas aí não seria a doença em si, mas a nossa *reação* diante da doença.

Minha pergunta então é: Como conseguir, de forma eficiente, definitiva e *consciente*, transformar energia negativa em positiva? Como transformar fel em mel?

Existem algumas idéias terapêuticas que dizem que temos que liberá-las, ou seja, colocar para fora nossas energias negativas, seja brigando, gritando, xingando, fazendo escândalo, quebrando coisas, praticando esportes violentos, enfim, deixar que a energia saia de nós e “queime” no mundo externo. Mas eu não consigo me sentir confortável em envenenar o mundo à minha volta com minhas energias negativas. Não consigo ver algo positivo em poluir o “meio-ambiente mental”, os meus amigos e até os inimigos com os venenos da minha alma. Todos merecem só amor e energias positivas. Me sentiria uma fábrica que libera materiais tóxicos no meio-ambiente durante sua produção. Por isso entendo que tal como hoje fazem nas fábricas, meu material tóxico também precisa ser filtrado e controlado. Isso consegue-se com auto-controle e educação espiritual e emocional. Mas da mesma forma não quero me poluir, porque eu também mereço amor. Aí que está o grande problema… Como transformar essas energias dentro de mim? Como dissipá-las dentro de mim, para que elas não envenenem nem à mim e nem ao mundo à minha volta?

Alguns especialistas dizem que as Artes são excelentes catárticos, que elas transformam nossas energias, que podemos transformar um drama íntimo em obras de arte que retratem o positivo da vida. Nao digo criar coisas negativas, para externar os nossos venenos, porque isso seria poluir o ambiente e as pessoas do mesmo jeito. Mas criar coisas positivas sobre o nosso drama afim de que, aos poucos, aquelas energias ruins sejam dissipadas pelas boas que nossa alma estará criando. Nossa energia divino-criativa sendo antídoto para as energias humanas.

Já a maioria dos Mestres que passaram pela Terra são unânimes em recomendar a prática do amor e da benemerência como poderosos e potentes “transformadores energéticos”, como verdadeiros remédios para a alma e para todos os nossos males. Amar para curar a alma. Eu concordo com eles, pois não consigo ver nada que seja mais eficaz, rápido e poderoso que a força do Amor que existe dentro de todas as criaturas. No entanto, como fazemos enquanto não conseguimos amar as pessoas acima dos problemas e conflitos que partilhamos com elas? Será que amando outras pessoas, doando-se para outras pessoas, as energias geradas pelos nossos conflitos com determinadas pessoas são dissipadas também? Ou será que apenas amando a “pessoa-conflito” que conseguiremos a cura? Não digo amar no sentido de sentir afeto apenas, mesmo porque não raras vezes os nossos maiores e mais pungentes conflitos são com as pessoas que mais amamos. Digo no sentido de compreender, perdoar, ou seja, amar de forma mais profunda, transcendendo o afeto. E o auto-amor, será que dissipa nossos venenos? São algumas das perguntas existenciais que nos surgem quando tentamos resolver nossos conflitos com o amor. Como achar as respostas? Meditando, orando, perguntando à Deus dentro de nós? Talvez…

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