E o que passou já passou...

Passado, todos nós o temos. A partir do momento de nosso nascimento, um passado já fica marcado em nossa existência....o passado da concepção, da vida intra-uterina e dos movimentos em prol da eclosão para o nascimento.

Vamos crescendo, nos desenvolvendo e quando crianças uma hora o leite materno se torna passado, depois as fraldas, o engatinhar, a mamadeira e assim sequencialmente vamos evoluindo.

Há o período da adolescência, mudanças drásticas, hormônios em ebulição, a despretensão da infância sendo deixada de lado, questionamentos, novas experiências, medos, conquistas, um novo mundo se descortina e as coisas de criança são histórias do passado.

Assim acontecerá na idade adulta, na velhice...sempre teremos um passado para nos lembrar. De início as lembranças são poucas, depois de uma longa caminhada o aumento é inevitável.

Há um princípio na história que nos diz que precisamos conhecer o passado para que não venhamos a cometer os mesmos erros no presente ou no futuro.
Lembranças, histórias, memórias, passado, não importa o nome que possamos dar, o fato é que todos nós temos momentos para guardar e lembrar.

E o que fazer quando o passado machuca? Como agir quando as lembranças nos ferem?

Sabemos que muitas pessoas tem a vida totalmente abalada por conta de traumas na sua infância. É o passado que se presentifica e assombra.

Muitos tenderão a eleger um algoz, outros tenderão a se culpar ferozmente.
A maneira como o passado pode nos afetar e a maneira como podemos lidar com isso é extensa e variadíssima. A grande questão, entretanto, é que todos terão que lidar com isso.

O que normalmente percebemos é que há pessoas que se tornam prisioneiras de seus passados. O tempo passou, mas algo permaneceu preso, escravizado, ou então há um movimento, mas um movimento no qual o caminhar é feito com excesso de bagagem, a pessoa transporta cargas, vai acompanhada de fantasmas.

Acredito que uma das melhores maneiras de lidarmos com os fatos e pessoas de nosso passado é crer que seja qual for a situação ou a pessoa que nos assombre, podemos e devemos extrair um denso e intenso aprendizado.

Muitos podem questionar nesse momento, argumentando que há situações em que é impossível aprender mas tão somente lamentar, entretanto, ouso discordar.

Como diz a famosa frase de Jean Paul Sartre:

“Não importa o que fizeram com você, importa o que você faz com aquilo que fizeram com você”

Talvez você tenha sido enganado, traído, roubado, caluniado, abusado, enfim, sabemos que a lista de maldades e abominações humanas é extensa.
Mas muitos hão de concordar que as pessoas que talvez jamais deveriam ter adentrado suas vidas, são justamente aquelas que o Pai e a vida mais usam para nos ensinar e lapidar.

E a grande verdade é que não há como voltar ao passado, seja ele bom ou ruim. Além disso, há um caminho ainda a ser percorrido, há presente a ser transformado em passado, há futuro a ser transformado em presente. Há a sua história a ser protagonizada. Pessoas e fatos certamente se sucederão, a grande questão é ficarmos atentos e extrairmos o aprendizado necessário.

Talvez sua trajetória compreenda oportunidades perdidas que te fazem lamentar, amores que se deixaram pelo caminho ficar, pessoas que estão a ser perdoadas ou até você mesmo espere seu próprio perdão.

Como afirmado no início do texto, o passado é comum a todos. Se será lamentado ou bem lembrado ou ambas as opções não há como saber. A grande certeza é que já foi.

O que foi ruim, o que foi bom, agora apenas se foi.
Um dia, foi.
Como canta o Titãs “aquele trem já passou e se passou, passou...daqui pra melhor...FOI. A canção continua dizendo os seguintes versos: “Eu só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder, só quero saber do que pode dar certo.”

E o que pode dar certo? Certamente é o que ainda está por vir, o que ainda não chegou ou aquilo que hoje temos em mãos.

Que estejamos esperando por dias melhores, melhores na dor, melhores no amor...assim como canta outra canção.

Ou como diz o profeta: “Eis que tenho um futuro de paz e não de mal, para lhes dar uma esperança e um futuro.”

Seja em forma de canções, de profecias, de exortações bíblicas, de poesias, o caminho é único: PROSSEGUIR.

Saber que é possível atravessar o oceano de dores e medos que um dia nos assolou é também animador. Lembro-me agora do filme “comer, rezar e amar” no qual a protagonista Liz Gilbert ao fim de uma jornada interior, escolhe a "sua palavra" e ela busca no italiano a expressão “atraversiamo” que nada mais é do que: “vamos atravessar”...que atravessemos, que O obedeçamos e migremos para o outro lado da margem, ainda que no meio do caminho nos sobrevenham tempestades, que nossa confiança esteja posta Nele que as acalma com um simples gesto e falar.



No final das contas, porém, talvez todos devamos parar de tentar retribuir às pessoas deste mundo que apóiam nossas vidas. No final das contas, talvez seja mais sábio se render à milagrosa abrangência da generosidade humana e simplesmente continuar dizendo obrigada, para sempre e com sinceridade, enquanto tivermos voz.voz.

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