Pular para o conteúdo principal

Conversando com Sigmund Freud

Breve Diálogo Com a
Obra do Criador da Psicanálise

Sigmund Freud


O texto a seguir foi construído com
a mesma técnica, bibliograficamente
documentada, utilizada no livro “Conversas
na Biblioteca - um diálogo de 25 séculos”,
de Carlos Cardoso Aveline (Ed. Edifurb,
Blumenau, 2007, 170 pp. , www.furb.br/editora ).



É grande o valor da contribuição de Sigmund Freud e da psicanálise para que se possa compreender melhor a enganosa relação da alma humana com os instintos animais.

Freud incluiu em suas pesquisas psicanalíticas as mais diferentes áreas de conhecimento - inclusive fisiologia, história, antropologia, mitologia e literatura de ficção - e provocou com sua obra um avanço significativo do conhecimento humano. Infelizmente, não rompeu com a visão materialista da vida e, vivendo na primeira metade do século 20, não lhe foi dado o dom do otimismo.

Reconhecido como um dos pensadores mais importantes desde o surgimento da ciência moderna, Freud nasceu em seis de maio de 1856, na Morávia, e foi viver em Viena quatro anos depois. Tinha pouco mais de 40 anos quando criou a psicanálise. No final da vida, a consagração internacional veio junto com o perigo. Idoso, judeu, ele mudou-se para a Inglaterra para evitar a perseguição nazista. Morreu em Londres aos 83 anos de idade.

Todo pesquisador tem erros e acertos. As limitações de Freud, do ponto de vista da filosofia esotérica, são evidentes. Ao examinar a emoção humana diante da beleza, por exemplo, ele afirma que a atração pelo belo é uma função sexual [1]. Esqueceu que a beleza do nascer do Sol, da lua cheia, das estrelas à noite e das paisagens naturais emociona a quase todos. Há vários outros aspectos frágeis em sua obra. Mesmo assim, o valor dela é inegável.

Uma parte fundamental do pensamento de Freud ainda está por ser compreendida. A sua visão científica sobre as grandes religiões modernas é subestimada hoje inclusive nos meios esotéricos, embora todo espiritualista tenha vários motivos para libertar-se de dogmatismos e para aceitar os métodos da ciência moderna, sem cair em suas ilusões materialistas.

No século 21, o enfoque de Freud sobre as religiões torna-se cada vez mais atual e necessário, enquanto o mundo enfrenta fenômenos como fanatismo fundamentalista, intolerância, guerra santa, terrorismo religioso e abuso de crianças por parte de sacerdotes católicos.

Freud revelou os aspectos neuróticos e até criminosos da religião autoritária. Ele também revelou a única “divindade” em que acreditava: o Logos grego, a divina Razão universal.

Sua longa vida foi dedicada ao progresso da alma humana, mas não rotulou seu próprio trabalho com slogans idealistas ou palavras-de-ordem aparentemente sublimes. Compartilhando os méritos e as limitações da ciência moderna, sua obra é uma das grandes expressões do humanismo do século 20.

No campo maior do pensamento psicológico, o contraste entre Sigmund Freud e Carl Jung não é apenas pessoal, mas filosófico. Freud nunca se apresentou como espiritualista, mas defendia a ética, era judeu e foi perseguido. Jung adotou ares de espiritualista, mas ignorou a ética, escreveu textos com um tom anti-semita, não via diferença entre verdade e ilusão ou fantasia e - durante a fase ascendente do nazismo, na década de 1930 - ocupou cargo de confiança no regime de Hitler.

A Psicologia vai além de Freud e Jung. Pensadores como Erich Fromm e Viktor Frankl, entre outros, deram grandes contribuições ao pensamento psicológico, adotando pontos de vista eticamente corretos e mais claramente compatíveis com a transcendência da filosofia esotérica do que o ponto de vista adotado por Freud. Para uma avaliação adequada das relações entre psicologia e teosofia, as ideias de Fromm e Frankl devem ser estudadas e reconhecidas.

A seguir, um breve diálogo com aspectos filosóficos da obra de Freud, um pensador que soube trazer para o dia claro as motivações inconscientes da alma humana, no que elas têm de primário e de instintivo, mas que também percebeu em algum momento algo maior e mais amplo, e investigou a origem da felicidade.[2]


1) O senhor não se filia à tradição esotérica, mas dá elementos para que as pessoas se libertem dos grilhões emocionais que as prendem ao mundo do desejo ilusório. O senhor não acredita nas religiões - e evita toda linguagem espiritualista - mas tem acesso a um saber que o coloca no território dos grandes pensadores de todos os tempos...

O nosso deus, o Logos, a Razão, talvez não seja um deus muito poderoso, e poderá ser capaz de efetuar apenas uma pequena parte do que seus antecessores [os outros deuses] prometeram. Se tivermos de reconhecer isso, o faremos com resignação. Não será por causa disso que perderemos nosso interesse no mundo e na vida, pois dispomos de um apoio seguro (...). Acreditamos ser possível ao trabalho científico conseguir um certo conhecimento da realidade do mundo, conhecimento através do qual podemos aumentar nosso poder e de acordo com o qual podemos organizar nossa vida.

2) Para os gregos, o Logos é a razão divina. Ele pode ser percebido como uma voz suave dentro da consciência de cada ser humano. O Logos se relaciona com o Nous ou Intelecto, a inteligência pura...

A voz do intelecto é suave, mas não descansa enquanto não consegue atenção. Finalmente, após uma incontável sucessão de reveses, ela obtém êxito. Esse é um dos pontos sobre os quais se pode ser otimista a respeito do futuro da humanidade e, em si mesmo, não é de pouca importância.

3) Os raja-iogues dos Himalaias que inspiraram a criação do movimento teosófico moderno ensinam que a busca da sabedoria divina é uma questão científica e não de crença religiosa. Um deles escreveu:“Um sentimento constante de dependência abjeta em relação a uma Divindade vista como única fonte de poder faz com que um homem perca toda autoconfiança(...). Ele se torna como um menino e permanece assim até a idade avançada, esperando ser conduzido pela mão.” [3] O que o senhor pensa disso? A crença religiosa convencional retira das pessoas a escolha e a responsabilidade?

A religião restringe o jogo de escolha e adaptação, na medida em que impõe igualmente a todos o seu próprio caminho para a aquisição da felicidade e da proteção contra o sofrimento. Sua técnica consiste em depreciar a vida e deformar o quadro do mundo real de maneira delirante - uma maneira que pressupõe uma intimidação da inteligência. A esse preço, por fixar as pessoas à força num estado de infantilismo psicológico e por arrastá-las a um delírio de massa, a religião consegue poupar a muitas pessoas de uma neurose individual. Dificilmente, porém, algo mais que isso. Existem muitos caminhos que podem levar à felicidade possível de ser alcançada pelos homens, mas nenhum caminho que o faça com toda segurança.

4) Certa vez, ao visitar a Grécia, o senhor sentiu que estava rejeitando emocionalmente uma sensação de felicidade, como se fosse algo excessivamente bom, que não merecia...

Esse é mais um caso de “bom demais para ser verdade”, que encontramos com tanta freqüência. É um exemplo de incredulidade que surge tantas vezes quando nos surpreendemos com uma boa notícia, quando sabemos que ganhamos um prêmio, por exemplo, ou que tivemos uma vitória (...). O que acontece [nesse] caso paradoxal é simplesmente que o lugar da frustração externa é tomado pela frustração interna. O sofredor não se permite a felicidade; a frustração interna ordena-lhe que se apegue à frustração externa. Mas por quê? Porque – essa é a resposta, em muitos casos – a pessoa não pode esperar que o Destino lhe proporcione algo tão bom. (...) Encontramos um sentimento de culpa ou de inferioridade, que pode ser traduzido assim: “Não mereço tanta felicidade, não a mereço”.

5) E como podemos buscar a felicidade com mais eficiência?

O projeto de tornar-se feliz, que o princípio do prazer nos impõe, não pode ser realizado. Contudo, não devemos - na verdade não podemos - abandonar nossos esforços de aproximar-nos dessa realização, de uma maneira ou de outra. Caminhos muito diferentes podem ser tomados nessa direção, e podemos dar prioridade ao aspecto positivo da meta, obter prazer, ou ao aspecto negativo, evitar o desprazer. Nenhum desses caminhos nos leva a tudo o que desejamos. A felicidade, no reduzido sentido em que a reconhecemos como possível, constitui um problema da economia da libido [isto é, da administração do instinto vital] do indivíduo. Não existe uma regra de ouro que se aplique a todos: cada homem tem de descobrir por si mesmo de que modo específico ele pode ser salvo. Todos os tipos de diferentes fatores operarão a fim de dirigir sua escolha. É uma questão de quanta satisfação real ele pode esperar obter do mundo externo, de até onde é levado a tornar-se independente dele, e, finalmente, de quanta força sente à sua disposição para alterar o mundo, a fim de adaptá-lo a seus desejos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

12 maneiras de jogar energia fora...

Por mais que existam pessoas desequilibradas e difíceis nós é que somos responsáveis pelas nossas energias e cabe a cada um de nós preservá-la e administrá-la da melhor forma possível. Existem “receitinhas”, orações, banhos, cristais e um arsenal de proteção, que são válidos e eficientes até um certo ponto. Porque aquele que não assume a responsabilidade por suas venturas e desventuras sempre estará vulnerável às energias ao seu redor. Sabe por que o outro rouba a sua energia? Porque você deixa a porta aberta!!! E depois ainda diz que a culpa é do outro… Para ajudar a refletir, fiz uma listagem de doze atitudes (e olhe que a lista é imensa!) que gastam uma tremenda energia vital. Uma vez desvitalizado e sem proteção fica fácil para qualquer um chegar perto e perturbar seu equilíbrio. Use esta listagem também para pensar porque a prosperidade às vezes passa longe de você. A energia que seria usada para atrair o bem, a felicidade, o amor, o dinheiro acaba sendo gasta de …

Agradecer sempre!!!

Você sabia que o Universo se comunica conosco o tempo todo e nos envia respostas, mensagens e sinais, de acordo com nossos desejos e necessidades? Estes sinais se manifestam através do fenômeno que conhecemos como sincronicidade, ou seja, no momento em que você necessita de algo, ou de que alguma situação aconteça, aquilo se manifesta repentinamente em sua vida. Mas eles não se apresentam somente com soluções grandiosas ou espetaculares. Manifestam-se igualmente nos acontecimentos rotineiros. A prova incontestável de que você está vivendo e atuando numa parceria harmoniosa com a vida, é a presença destas sincronicidades em seu dia-a-dia. Para percebê-las, é necessário que você esteja atenta e consciente de que o Universo sempre responde, de alguma forma, a todos os seus pedidos. Se você vinha recebendo estes presentes e, de repente, eles pararam de acontecer, saiba que algo saiu do eixo em seu plano de vida..... É indício de que você se deixou perturbar por alguma forma de negativida…

עילי בוטנר ורן דנקר - בואי נעזוב