Alienação da realidade

Desde o seu nascimento o homem necessita de outras pessoas para a sua sobrevivência, ou seja, toda a sua vida é caracterizada por participações em grupos. Nenhum homem é uma ilha, fechada em si mesmo.

O desenvolvimento de nossa individualidade se dá quando vivemos em grupos, pois é nesse processo que se permite o confronto entre as pessoas e, então, cada um vai construindo o seu “eu”. Porém, se não confrontarmos as nossas representações sociais com as nossas experiências e ações, e com as de outros do nosso grupo social, então não seremos capazes de perceber o que é ideológico em nossas representações e ações conseqüentes.

A alienação da realidade ocorre quando se separa o agir-pensar-falar. Acabamos não sendo capazes de pensar e questionar sobre aquilo que nos é imposto, que é ditado como “regra indiscutível”. Por isso, é de fundamental importância que pensemos a realidade e os significados atribuídos a ela, questionando-os de forma a desenvolver ações diferenciadas, pois é assim que desenvolveremos a consciência de nós mesmos, de nosso grupo social e de nossa classe.

A estrutura atual da sociedade tem encoberto a realidade e enfatizado a questão da individualidade e da competição. A idéia de que a maioria das ações humanas tem por sujeito um grupo acaba sendo distorcida. A classe dominante tem pensado e tomado as decisões pela maioria, que tem deixado de assumir a responsabilidade das decisões e da própria participação.

Se o homem não recuperar a sua capacidade de pensar e agir, então ele continuará alienado de sua própria realidade objetiva. Não podemos nos deixar levar por uma visão fragmentada da realidade.

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