Uma reflexão sobre como nos permitimos (ou não) viver intensamente e desfrutar de cada experiência de nossas vidas.

Não raras vezes pensamos estar no topo do mundo e que podemos tudo, sabemos tudo e conseguimos tudo. Que ilusão. Tão freqüente é achar que não podemos nada, que estamos abaixo do último dos seres. Mais fantasias...


É fácil perder-se de vista e cultivar fantasmas que andam conosco distorcendo nossas percepções. Basta, porém, uma respiração completa, fechar os olhos alguns instantes e sentir o próprio coração bater para lembrar quem é a pessoa que você conhece há anos, aquela que você vê todo dia ao se olhar no espelho.

Reprimidos desde crianças e com essa facilidade de perder de vista quem somos e do que somos capazes, como viver feliz e plenamente? Não há manuais, de fato. Desconfie, inclusive, sempre que encontrar manuais com passos exatos de como fazer isso, conquistar aquilo ou ser aquilo outro. O que tenho aprendido com as minhas experiências ultimamente é a importância de continuar aberto a aprender. Experimentar, sentir, tentar e explorar com tanta intensidade e vontade que aos poucos o brilho dos olhos vai ressurgindo. Você vai sendo tomado por uma sensação intensa e calorosa... no início não sabe exatamente o que é, mas aos poucos vai percebendo. Gostaria de um termo mais culto, mas a melhor expressão para isso é tesão de viver.

Temos em nossas vidas a oportunidade de viver algo extraordinário chamado de incerteza. Obviamente podemos encará-la como algo ruim, como aquilo que diz a você: “Não terás o completo domínio de tudo que acontecerá em sua vida”. Por outro lado, já que tudo tem múltiplos lados, podemos olhar para frente, para esse imenso ponto de interrogação feito de inúmeras variáveis e curtir o processo de desbravar. Sinto que essa emoção de reconhecer o terreno, de procurar possibilidades, de identificar oportunidades e todo o resto são partes fundamentais da equação cósmica que possibilita nossa felicidade e vontade de viver.

Como já é senso comum, o que importa não é o que acontece a você, mas o que você faz em relação a isso. Tanto faz a censura que lhe impõem, mas se você acata ou não e como você reage a isso é a grande questão. Você escolhe o tempo todo entre viver ou deixar as horas e os dias passarem. Enxergue-se como a única pessoa da qual você depende. Talvez você prefira um emprego que não lhe estimule a aprender mais, a saber coisas novas e usar mais sua capacidade. Talvez você tenha medo de arriscar-se em algo novo e, por isso, prefira continuar insatisfeito e num marasmo... mas com suas garantias. Não há problema nenhum nisso. Explore seu desejo de viver, aprender e renovar-se em outros âmbitos.

Estude, viaje, leia, passeie, encare-se de frente e olhe fundo nos próprios olhos. Perceba quão intensamente eles brilham e pergunte a si mesmo se está satisfeito e feliz. Se você soubesse que iria morrer em dois ou três dias, estaria contente com a forma como tem vivido?

Comentários

Postagens mais visitadas