Falando sobre o Budismo

Vamos conhecer um pouco da história do Budismo dado que este ocupa o sexto lugar no ranking de religiões do mundo, com aproximadamente 400 mil adeptos, segundo estatísticas de Abril de 2007
O fundador do Budismo foi o filho de um rajá, chamava-se Sidharta Gautama e viveu no Nordeste da Índia. Sobre sua vida existem várias histórias, mas os pontos de maior importância são os seguintes:
O Príncipe Sidharta cresceu em meio à fortuna e ao luxo. O rajá ouvira uma profecia de que seu filho se tornaria um poderoso governante ou tomaria o caminho oposto e abandonaria o mundo por completo. Esta última opção aconteceria se deixassem que ele testemunhasse as carências e o sofrimento do mundo. Para evitar que isso ocorresse, seu pai tentou protegê-lo do mundo que ficava além das muralhas do palácio, ao mesmo tempo, que o cercava de delícias e diversões.
Aos 29 anos, apesar da proibição do pai, Sidharta saiu do palácio e viu, pela primeira vez, um velho, um homem doente e um cadáver em decomposição. Depois dessas impressões desanimadoras, avistou uma asceta com a expressão radiante de alegria. Percebeu então que uma vida de riqueza e prazer é uma existência vazia e sem sentido, e perguntou-se: haverá alguma coisa que transcenda a velhice, a doença e a morte? Imerso em pensamentos, voltou ao palácio e na mesma noite renunciou a sua vida de príncipe e, sem se despedir, abandonou esposa e filho e partiu para uma vida de andarilho.
Sidharta, após uma vida de abundância, passou para o extremo: os exercícios ascéticos. Obrigou-se a comer cada vez menos, até que, segundo a lenda, conseguia sobreviver com um único grão de arroz por dia. Ele esperava dessa forma dominar o sofrimento, mas nem os exercícios de ascetismo nem a ioga lhe deram o que procurava. Assim ele adoptou o "caminho do meio", buscando a salvação através da meditação. E aos 35 anos alcançou a iluminação (bodhi) enquanto estava sentado em meditação sob uma figueira localizada na margem de um afluente do rio Ganges. Agora transformara-se num Buda, ou seja, um "iluminado", pois alcançou a percepção de que todo o sofrimento do mundo é causado pelo desejo.

Durante 7 dias e 7 noites o Buda ficou sentado debaixo da árvore da iluminação. Ganhou dessa forma a compreensão de uma realidade que não é transitória, uma realidade absoluta acima do tempo e do espaço. Ao dominar seu desejo de viver, que antes o atava à existência, o Buda parou de produzir carma e portanto, deixou de estar sujeito à lei do renascimento. Conseguira alcançar a salvação para si mesmo, e o caminho estava aberto para abandonar o mundo e entrar no nirvana final. Porém, o deus Brahma instou com ele para que difundisse seus ensinamentos. Ele, então, "contemplou o mundo com um olhar de Buda" e decidiu "abrir o portão da eternidade" para aqueles que o quisessem ouvir.
Buda seguiu para Benares, que já naquela época era um centro religioso. Foi ali que deu sua primeira palestra – o famoso sermão de Benares, que contém os elementos mais importantes de seus ensinamentos. Diversos monges mendigos o seguiam, e durante mais de 40 anos ele e seus discípulos vaguearam pela região nordeste da Índia. Desde o início seus seguidores se dividiram em dois grupos: os leigos e os monges.
Quando Buda tinha por volta de 80 anos, adoeceu e decidiu despedir-se dos discípulos. Antes de morrer, voltou-se para o triste rebanho de discípulos ao seu redor e disse: "Talvez alguns de vós pensem: "As palavras do mestre pertencem ao passado, já não temos mestre". Mas não é assim que deveis ver as coisas. O dharma (instrução) que vos dei deve ser o vosso mestre depois que eu partir.” Assim morreu Gautama.
Ensinamentos de Buda
A lei do carma
Para Buda, um ponto de partida óbvio é que o ser humano é escravizado por uma série de renascimentos. Como todas as ações têm consequências, o princípio propulsor por trás do ciclo nascimento-morte-renascimento são os pensamentos do homem, suas palavras e seus atos (carma).
O tipo de vida em que o indivíduo vai renascer depende de suas ações em vidas anteriores. O homem colhe aquilo que plantou. Não existe "destino cego" nem "divina providência". O resultado flui automaticamente das ações. Portanto, é tão impossível fugir do carma quanto escapar da sua própria sombra.
Enquanto o ser humano tiver um carma, ele está fadado a renascer. Embora se possa dizer que a lei do carma possui um certo grau de justiça, ela é vista como algo um tanto negativo, algo do círculo vicioso dos renascimentos.
Visão da humanidade
Buda nega que o ser humano tenha alma e rejeita a existência de um espírito universal. De acordo com o budismo, a alma é tão fugaz como tudo mais neste mundo.
O fato de um homem achar que é um "eu", ou uma alma, baseia-se na ignorância, e essa ignorância tem consequências graves, uma vez que promove o desejo, e é o desejo que cria o carma do indivíduo. O budismo vê a vida humana como uma série ininterrupta de processos mentais e físicos que alteram o homem de momento a momento. O bebé não é a mesma pessoa que o adulto, e o adulto não é hoje a mesma pessoa que era ontem.
Tudo é constituído de fatores existenciais impessoais que formam combinações fadadas a decair. Tudo é transitório.
As quatro nobres verdades sobre o sofrimento
Essas verdades demonstram que tudo é sofrimento; que a causa do sofrimento é o desejo; que o sofrimento cessa quando o desejo cessa; e que isso se consegue seguindo o caminho das oito vias.
A primeira nobre verdade determina que tudo no mundo é sofrimento. "Nascer é sofrer, envelhecer é sofrer, morrer é sofrer, estarmos unidos com aquilo de que não gostamos é sofrer, separarmo-nos daquilo que amamos é sofrer, não conseguir o que queremos é sofrer". Buda reconhece que existe alegria tanto na família como no mosteiro, todavia, tudo aquilo que amamos e a que nos apegamos simplesmente não vai durar.
Na segunda nobre verdade, Buda afirma que o sofrimento é causado pelo desejo do ser humano. O desejo implica, sobretudo desejar com os sentidos, a sede de prazeres físicos. Como essa ânsia nunca pode ser plenamente saciada, ela irá sempre acarretar um sentimento de desprazer. Até mesmo o desejo de sobrevivência do ser humano contribui para manter o sofrimento.
A terceira nobre verdade é que o sofrimento pode ser levado ao fim. Isso acontece quando o desejo cessa. E quando o desejo cessa, começa o nirvana. Um pré-requisito necessário para suprimir o desejo é que a ignorância do homem deve ser enfrentada, pois ela é a causadora do desejo. Assim só o homem que não vê sente desejo.
A quarta nobre verdade afirma que o homem pode ser libertado do sofrimento e do renascimento seguindo o caminho das oito vias.

O caminho das oito vias
Com base na própria experiência, o Buda acredita que o homem deve evitar os extremos da vida. Não se deve viver nem no prazer extravagante, nem na auto negação exagerada. O caminho para dar fim ao sofrimento é o "caminho do meio", e Buda descreveu-o em oito partes:
1 - Perfeita compreensão;
2 - Perfeita aspiração;
3 - Perfeita fala;
4 - Perfeita conduta;
5 - Perfeito meio de subsistência;
6 - Perfeito esforço;
7 - Perfeita atenção;
8 - Perfeita contemplação.
Perfeita compreensão e perfeita aspiração: O homem deve construir sua compreensão sobre como o mundo funciona. Isso significa compreender as verdades acerca do sofrimento e do ensinamento de Buda de que o homem não tem alma. Depois, o homem deve dedicar-se a lutar contra o desejo. Deve também evitar o ódio e a luxúria. Por ultimo, o homem deve olhar para o Buda como um ideal.
Perfeita fala, perfeita conduta, perfeito meio de subsistência: Esses pontos estabelecem a ética do budismo, o seu código moral. Perfeita fala significa que o homem deve se abster de mentiras, intrigas e conversas vazias, e que deve falar com seus semelhantes de forma verdadeira, amigável e carinhosa. Ficar em silêncio também está incluído na fala perfeita. Perfeita conduta significa seguir os cinco mandamentos que se aplicam a todos os budistas. Diversos textos ressaltam a utilidade de dar presentes e realizar serviços para os outros. Estudar a doutrina e disseminá-la também faz parte da perfeita conduta. Perfeito meio de subsistência é escolher um trabalho que não contrarie os cinco mandamentos.
Perfeito esforço, perfeita atenção e perfeita contemplação: Esses três pontos relacionam-se com a maneira como o ser humano pode melhorar a si mesmo e purificar sua mente. Perfeito esforço significa que o budista não deve deixar que pensamentos ou estados de espírito destrutivos intervenham; se já estiverem presentes, deve tentar expulsá-los antes que tenham efeitos palpáveis. Perfeita atenção é um precursor do último item. A auto contemplação é o meio pelo qual o budista alcança pleno controlo sobre o corpo e a mente. Uma vez conseguido isso, ele está pronto para iniciar a meditação propriamente dita.
Meditação
O budismo tem uma doutrina abrangente sobre os vários níveis e estágios da meditação. Durante a meditação, todos os músculos se relaxam, possivelmente pelo fato de o praticante se sentar numa posição especial de ioga (posição de lótus). Toda a concentração deve focalizar uma só coisa, que pode ser um objeto, uma palavra ou a própria respiração. A psicologia budista hoje ensina que a mente humana se compõe de duas partes: uma superficial, que é exercitada pelos sentidos e as profundezas da mente, que são tranquilas e imóveis. O objetivo da meditação é acalmar a superfície perturbada. Quando isso acontece, o budista perde todo sentido do tempo e do espaço. É nesse ponto que ele pode ter esperança de alcançar a plena iluminação (bodhi), na qual atinge uma compreensão perfeita das "quatro nobres verdades", deixando de se enganar a si mesmo sobre a existência, libertando-se assim da lei do carma.
O budista torna-se um arhat ("venerável"), o que significa que já não irá renascer. E quando morrer atingirá o eterno nirvana.
Nirvana
Segundo Buda, tudo o que existe no mundo é sem autonomia, transitório e, em consequência, pleno sofrimento. Assim, ele não via esperança enquanto o homem estivesse preso nesse ciclo. Contudo, existe algo eterno, algo fora do sofrimento. O budista chama a isso "nirvana". Essa palavra significa, na verdade, "apagar", uma referência ao fato de que o desejo "se extingue" quando se atinge o nirvana. Poderíamos talvez descrever o nirvana como uma quinta dimensão, divorciada da nossa existência quadridimensional.
Poucos textos budistas, porém, descrevem o nirvana em termos positivos.
Uma condição para alcançar o nirvana é que o budista encontre a iluminação (bodhi), exatamente como ocorreu com Buda debaixo de sua figueira. O nirvana final que a pessoa atinge quando morre é irreversível. Por vezes ele é designado no budismo por um temo especial, parinirvana, isto é, "extinção absoluta", ou "extinção última".

Os cinco mandamentos
Para a vida diária o budismo tem cinco regras de conduta:
1. Não fazer mal a nenhuma criatura viva: Esta é considerada a mais importante das cinco virtudes. Nem um outro ser humano nem os animais devem ser prejudicados. O ser humano é o mais importante, já que é superior aos animais. Os budistas consideram o pacifismo um ideal, embora nem todos os budistas sejam pacifistas. Para o budista, a vida começa na concepção; desse modo, o aborto infringe essa primeira regra. O suicídio também é uma violação da regra, mas não se a pessoa sacrificou sua vida por outra vida. Não há um vegetarianismo coerente no budismo, ainda que muitos monges excluam a carne de sua dieta. Supõe-se que Buda também concordou que se comesse carne, desde que a pessoa estivesse certa de que o animal não fora morto especialmente para ela.
2. Não tomar aquilo que não lhe foi dado: Isso não se refere somente ao roubo, mas também a vigarice de todos os tipos. Podemos considerar que esta é uma regra acerca da correção nos negócios e da ética no trabalho.
3. Não se comportar de modo irresponsável nos prazeres sensuais: Essa regra refere-se às atividades sexuais que podem prejudicar os outros: estupro, incesto e adultério. A homossexualidade é sempre considerada uma quebra dessa regra.
4. Não dizer falsidades: A verdade é extremamente importante no budismo. Essa regra também alerta contra as respostas maldosas, a bisbilhotice, a ira e as conversas inúteis.
5. Não se entorpecer com álcool ou drogas: Ficar entorpecido ou embriagado implica não se poder concentrar nas regras que devem ser seguidas.
Outras regras mais estritas:
Em certos períodos, alguns leigos submetem-se a uma disciplina mais estrita. Alguns vão mais longe, seguindo as mesmas regras que se aplicam aos monges e monjas noviços. Nesse caso, as cinco regras passam a incluir a abstinência sexual. Além disso, existem outras 5 regras:
Não comer em horas proibidas (por exemplo, após o meio-dia);
Afastar-se de todos os divertimentos mundanos;
Abdicar de todos os luxos (como jóias, perfumes, etc);
Não dormir numa cama macia nem larga;
Não aceitar nem possuir ouro, prata ou dinheiro.
A vida religiosa
Monges, monjas e leigos.
Buda criou uma nova ordem, a sociedade monástica. Para seguir à risca os ensinamentos do Buda, era necessário deixar para trás todos os cuidados a as preocupações relativas à família e à vida social. Até hoje a ordem monástica constitui a espinha dorsal da vida religiosa na maioria das terras budistas.
Dessa maneira, é importante distinguir entre os monges e monjas, por um lado, e por outro, os leigos. Como já vimos, os monges e as monjas levam uma vida de simplicidade e pobreza. Costumam obter o pouco de que necessitam para sobreviver pedindo esmolas, o que não é tido como degradante. Pelo contrário: Para o leigo, é uma honra dar esmolas aos monges. Monges vestidos com seu hábito cor de açafrão pedindo comida pelas ruas, é uma cena comum nos países budistas do Sudoeste asiático.
Em outras regiões, a tarefa de esmolar adquire uma forma mais organizada; por exemplo, cada casa de família é responsável pela comida do mosteiro em certos dias da semana.
Um mosteiro budista não fica isolado da vida da cidade ou da aldeia. Em determinados dias, instruem os leigos sobre os ensinamentos do Buda. As pessoas comuns podem ainda passar temporadas em retiro num mosteiro, a fim de meditar ou receber instrução especial.
O culto
Em tempos antigos, o culto religioso consistia inteiramente em venerar as relíquias do Buda ou de outros homens santos. Originalmente as relíquias eram guardadas em pequenos montes de terra (stupas). Aos poucos estas transformaram-se naquelas construções características, em forma de sino ou de domo, que hoje chamamos de pagodes.
A partir do século I a.C., tornou-se comum produzir imagens e estátuas do Buda. Elas podem ser vistas por toda parte nos países budistas. Apesar de os budistas venerarem as imagens do Buda queimando incensos e pondo flores e outras oferendas diante delas, para o budista ortodoxo isso não é propriamente uma adoração formal.
Buda foi apenas o guia da humanidade, foi o mestre "glorificado", e como já entrou no nirvana, não pode ver nem recompensar as acções de um budista. Por isso, suas imagens não devem ser adoradas; estão ali para lembrar os ensinamentos de Buda e auxiliar o budista na sua meditação e vida religiosa.
Feriados religiosos
A festa religiosa mais importante para os budistas é o aniversário do nascimento do Buda, comemorado em Abril ou Maio, na lua cheia. Também se acredita que esse foi o dia da iluminação do Buda e de sua entrada no nirvana. Além dessa data, cada país tem varias festas religiosas, muitas vezes celebradas com peregrinações em massa aos mosteiros ou pagodes mais conhecidos.

Outros deuses
Buda não negou a existência de outros deuses. Todavia, acreditava que a existência dos deuses era transitória, assim como a existência humana. Embora eles vivam mais tempo que os seres humanos, também estão atrelados ao ciclo do renascimento.
Não obstante, nos países budistas há uma adoração generalizada de variadíssimas divindades. Diferentemente do próprio Buda, todos estes são seres vivos e activos, os quais, se cultuados de modo correcto, podem trazer vantagens mundanas. Os templos budistas muitas vezes contêm estátuas de deuses como Vishnu, Indra e Ganesha, mas sempre dispostas de maneira subserviente a Buda.
Dhammapada – O livro sagrado
Vários livros são essenciais para a religião budista, mas o Dhammapada (algo como "caminho da virtude" na língua páli) pode ser considerado o conjunto de ensinamentos básicos do budismo. Isso deve-se ao facto de ser a colectânea de provérbios que o próprio Sidharta Gautama (o Buda) teria proferido durante 45 anos de pregação espiritual. Escrito numa linguagem simples e sintética, o Dhammapada condena com ênfase os auto-sacrifícios e o ascetismo. Mostra que apenas os próprios indivíduos podem ajudar-se a si mesmos, e que a interferência dos Budas serve apenas como um sinal de orientação. Por conta disso, o esforço pessoal é um dos fundamentos do credo budista. A autoria do Dhammapada nunca foi completamente estabelecida, mas a mensagem corresponde ao espírito dos ensinamentos de Sidharta, que viveu entre 560 e 480 a.C. trata de temas como a amizade, pensamento, castigo, severidade e maldade. Parte fundamental da obra é dedicada à bondade em relação a todos seres e à pregação da não-violência.
Difusão do Budismo
Não muito depois da morte do Buda ocorreu uma divergência entre seus discípulos acerca da maneira como os ensinamentos dele deveriam ser interpretados. Um século mais tarde foi realizado um concílio. Como diversos monges expressaram o desejo de moderar a disciplina monástica, o encontro terminou numa divisão entre uma facção conservadora e outra mais liberal. Na época moderna é costume distinguir entre duas tendências principais:
Budismo Hanayana – O nome dessa corrente quer dizer "pequeno caminho". Seus adeptos mantêm-se fiéis ao Budismo em sua forma mais primitiva e estão concentrados principalmente nas regiões de Birmânia, Ceilão e Tailândia.
Budismo Mahayana – "O grande caminho", é mais complexo do que o Budismo Hanayana, e está disseminado principalmente na China e no Japão. Neste país, aliás, o Budismo subdividiu-se em diversas seitas, que se filiam a duas correntes principais: o Caminho Santo (Shodo-Mom) e a Terra Pura (Jodomom). Sob a corrente do Caminho Santo, abriga-se uma das mais conhecidas seitas, que é o Zen-budismo.

Curiosidades
Segundo consta, Buda nasceu 547 vezes antes de chegar ao encontro da iluminação.
Aos 16 anos, Buda casou-se com a princesa Yasodhara, escolhida entre 500 pretendentes. Tiveram um filho chamado Radula.
Os pontos fundamentais do budismo são a crença na reencarnação da alma em outras formas de vida.
Os maus voltam com a aparência de um animal inferior ou um ser azarado. Os bons retornam em condições melhores e, progressivamente, atingem escalas maiores e mais afortunadas, até se tornaram dignos do nirvana (bem aventurado estado do vazio total), onde há a completa libertação dos desejos. Depois desse estágio a alma não torna a renascer para o sofrimento.
A regra de ouro pregada por Buda era: "Tudo o que somos é resultado do que pensamos".
Dalai Lama significa "oceano de sabedoria". O título é dado aos líderes religiosos do Tibete, considerados os chefes do budismo. Segunda a tradição budista, o Dalai Lama é a reencarnação de Buda, a manifestação de Bodhisattva Avalokitesvara.

Quando um Dalai Lama morre, os monges budistas passam a procurar pela nova reencarnação do Buda. Eles reconhecem o novo líder por meio de sinais por eles conhecidos e aplicando testes tradicionais na cultura budista.
O actual Dalai Lama Tenzin Gyatso é filho de agricultores da aldeia de Takster, situada no leste do Tibete. Seu nome é Lhamo Thondup e foi reconhecido como a 14ª reencarnação do príncipe Cherezig quando tinha 2 anos. Aos 4 anos, deixou a família e mudou-se para Lhasa, no palácio de Potala. Recebeu o nome de Jampel Ngawang Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso e passou a ser preparado para se tornar um Dalai Lama.
Em 1950, assumiu o poder político do Tibete, precisamente na época em que a China ocupou o país, assim, o Dalai Lama partiu para o exílio na Índia em 1959, depois de uma rebelião nacionalista mal-sucedida contra o governo chinês. Até hoje ele vive em Dharamsala, no norte da Índia, onde fica a sede do governo tibetano no exílio. No final da década de 1980, ocorreram manifestações violentas entre chineses e tibetanos e milhares de monges budistas foram mortos. Em 1989, o Dalai Lama recebeu o Prémio Nobel da Paz em reconhecimento de sua campanha pacifista para acabar com a dominação chinesa no Tibete.

Os budistas não têm hierarquia. Um monge budista vive sozinho ou num mosteiro, onde conta com pouquíssimos bens: uma muda de roupa, uma tigela para fazer as refeições, um colar com 108 contas (para contar enquanto medita), uma lâmina para rapar a cabeça e um filtro de água.
Comentários