EQUILÍBRIO X DESEQUILÍBRIO


O equilíbrio é o nosso estado natural, quando estamos em perfeita sintonia com ou Eu Verdadeiro. Quando temos a vida dominada por uma visão periférica do “ego” ou “eu material e físico”, então, imergimos no desequilíbrio emocional.

Quando estamos em perfeito equilíbrio emocional, ou seja, em perfeita sintonia com o EU Divino, as nossas ações são apoiadas no tripé “Foco na Vida – Autoconfiança – Persistência”,
O nosso equilíbrio se faz com Foco na Vida. A Vida é um atributo divino. Ela sempre está acompanhada pelos restantes atributos divinos: Sabedoria, Amor, Provisão Infinita, Alegria e Harmonia. A Sabedoria que jorra do nosso Interior nos ajuda e orienta sempre a contornar e superar todos os obstáculos ou dificuldades. O amor que se manifesta com desarmonia é apego e não Amor; o amor-apego quando contrariado se transforma subitamente em aversão, raiva, ódio, roubo e homicídio. O verdadeiro Amor, o que tem origem divina, só pode gerar a Vida, mesmo quando rejeitado ou traído. O Amor Verdadeiro é incondicional. “Quem ama é paciente e bondoso. Quem ama não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso. Quem ama não é grosseiro, nem egoísta; não fica irritado, nem guarda mágoas” Aquele que vive plenamente com absoluta sintonia divina sabe que nada lhe pode faltar, as suas reais necessidades estão satisfeitas, conforme se apresenta necessário, o que é o senso de Provisão Infinita. Este estado de alma só traz contínua felicidade ou Alegria. Sentimos a Harmonia, que se traduz em profunda tolerância e agradecimento a todas as coisas do Universo, inclusive as maiores adversidades e inimigos ou detratores declarados.

Também, quando estamos equilibrados, isto é, manifestamos a nossa Imagem Verdadeira, temos absoluta Autoconfiança, não temos medo algum, apenas, o medo de nos afastarmos da sintonia divina. A nossa caminhada na vida se faz com convicção e firmeza, porque sabemos que só existe Deus, só existe a Luz e só existe o Bem; vivenciamos continuamente o que diz um trecho da Sutra Sagrada “Chuva de Néctar da Verdade”: “unicamente o Bem é Força, unicamente o Bem é Vida, unicamente o Bem é Realidade; logo, não existe Força que não seja Bem, não existe Vida que não seja Bem, e também não existe Realidade que não seja Bem. Força que não seja Bem, isto é, força que traz infelicidade, não passa de pesadelo... Todas as desarmonias e imperfeições nada mais são que pesadelos”.

Se tivermos Foco na Vida e Autoconfiança, só precisamos de Persistência e entusiasmo para progredir equilibradamente. Assim, nunca desistimos, pois suportamos tudo com fé, esperança e paciência. Temos a certeza que a situação mais adversa é apenas um teste de crescimento muito transitório ou impermanente.

O desequilíbrio, por sua vez, se apoia e expressa em três dimensões, que se retroalimentam para gerar contínuo sofrimento: “Raiva – Medo – Culpa”.
O sábio Lama Chagdud Rinpoche, em “Portões da Prática Budista”, esclarece sobre a Raiva:

O APEGO E A RAIVA são dois lados da mesma moeda... Quando encontramos algo que desejamos e que não podemos conseguir; ou quando alguém nos impede de alcançar aquilo que dissemos a nós mesmos que precisávamos ter; ou quando acontece algo que não se ajusta à maneira como gostaríamos que as coisas fossem, sentimos raiva, aversão e ódio... Com a raiva, e também com o apego e a ignorância – os três venenos da mente – geramos carma sem fim, sofrimento sem fim... Dado que nem uma gota de felicidade jamais nasce dela, a raiva é uma das mais potentes forças negativas... A raiva e a aversão podem levar à agressão. Quando prejudicadas, muitas pessoas sentem que devem retaliar, cobrando olho por olho... Quando você deixa a aversão e a raiva tomarem conta de você, é como se, tendo decidido matar uma pessoa jogando-a em um rio, você se agarrasse ao pescoço dela, pulasse na água e os dois morressem afogados. Ao destruir o seu inimigo, você também se destrói.

Vivenciar o Medo é viver o inferno dentro de si próprio. O inferno é o resultado das mentiras e fantasias criadas na própria mente, principalmente, dos pensamentos e intenções raivosos, das palavras e ações nocivas que eles produzem, tais como mentira, calúnia e difamação. Quando não controlamos os hábitos que levam a uma mente raivosa, mentirosa e caluniadora, então, não há como deixar de arder no inferno criado por nós mesmos. Também, temos Medo quando apenas temos fé em todas as coisas que só vivenciamos por intermédio dos nossos sentidos físicos. Essas coisas não podem nos dar segurança em nada a longo prazo, porque são todas impermanentes. As coisas materiais e externas mudam continuamente, até as nossas amizades e relacionamentos. Como diz o Lama Chagdud Rinpoche: “Só podemos confiar, verdadeiramente, em nossa natureza imutável”.

Porque nos sentimos culpados? Portanto, a perfeição é inerente ao ser humano e não a imperfeição muitos não conseguem libertar-se do desejo de autopunição e autodestruição. Por isso, procuram infligir sofrimentos a si próprios e a outrem com o objetivo de “expiar os pecados”. Sobre isso, o Dr. Taniguchi afirma no capítulo “A ação do subconsciente”, em “A Humanidade é isenta de pecado”: “... é um grande erro pensar que o homem precisa punir a si mesmo com sofrimentos para aplacar a ira de Deus, receber Seu perdão e agradá-Lo. A expiação não consiste em acalmar a ira de Deus, exibindo-Lhe cenas de autocondenação e autopunição. Deus Criador não deseja que nenhuma pessoa sofra, pois Ele é Deus do Amor”.

Que possamos trilhar os caminhos seguros do equilíbrio

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