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A Sindrome do Medo da Felicidade

Segundo relata a Bíblia, em Gênesis, Esaú e Jacob eram filhos de Isaac e netos de Abraão. Apesar de gêmeos, Esaú saiu do ventre da mãe primeiro e por isso herdou o direito de primogenitura, isto é, ficou com o direito de herdar as posses e privilégios do pai, o grande patriarca do que viria ser a nação israelense. Isso não era pouca coisa naquele tempo, como não seria hoje em algumas famílias...

Na sua juventude Esaú era caçador e Jacob agricultor. Um belo dia Esaú voltou da caça com um bom antílope e Jacob cozinhava um guisado de lentilhas, que exalava um cheirinho de fazer crescer água na boca, sobretudo para quem como Esaú estava exausto de tanto caminhar e correr. A verdade é que Esaú foi tomado pela tentação do menor gasto de energia e resolveu pedir ao irmão um prato de lentilhas.

Jacob, pelos vistos era um grande negociante, fez uma proposta ao irmão: Esaú obteria o prato de lentilhas desde que abrisse mão do direito de primogenitura. Esaú acedeu, fez a troca do seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas, e depois se arrependeu amargamente a ponto de cultivar um ódio de morte ao irmão.

Para a lição que queremos tirar da história, bastam os três parágrafos anteriores. O resto pode ser lido em Gênesis.

A verdade é que por mais suculento e apetitoso que estivesse o guisado de lentilhas de Jacob, após um exaustivo dia de caçada, eu teria preferido – me perdoem os vegetarianos – esperar mais um pouco e cozinhar o meu próprio bife de antílope, como aqueles com um ovo “a cavalo”, que eu me habituei a comer na juventude em Angola, já no mata-bicho matinal. Enfim, mas gostos não se discutem... A verdade é que Esaú, como caçador nato, até teria preferido também um belo bifinho de caça, contudo optou pelo caminho de menor gasto de energia ou tomado pela ansiedade não quis dar uma ordem ao estômago para esperar um pouquinho mais...

Isso acontece com muitas pessoas. Quando o que eles mais desejaram na vida, por anos e anos, até com lágrimas de permeio, está prestes a ser realizado ou já se realizou, então, partem para outra solução mais fácil, só porque teriam de realizar um pequeníssimo auto-sacrifício, muitas vezes, só uma breve espera. É o que se pode chamar de “síndrome do medo da felicidade”, como eu já vi escrito num livro que me “passaram a mão”.


Conheço histórias reais como estas:

- Um casal de noivos, após longos anos de namoro, compra o enxoval, monta a casa e faz os preparativos da boda, quando resolve brigar e terminar com tudo, uma semana antes da subida ao altar.

- Um homem namorou mais de cinco anos com a mulher dos seus sonhos e uma hora antes da cerimônia de casamento, na hora de ir para a igreja, resolve desaparecer para surpresa e constrangimento da própria família que via na noiva o perfil da esposa ideal.

- Uma pessoa obtém o seu título de doutoramento, depois de anos de grande renúncia e sacrifício, então, passado um breve tempo, afunda-se num quadro de depressão.

- Uma mulher sente-se atraída por um homem, porém algumas vicissitudes da vida não proporcionam a união conjugal dos dois; após um casamento mal sucedido, ela reencontra o seu amado e, quando a reunião está prestes a realizar-se, ela parte para experiências alternativas que não sabe se darão em algum relacionamento duradouro, isto é, até prova em contrário, troca o certo pelo incerto.

Todos os casos anteriores são reais e demonstram que a “síndrome do medo da felicidade” é mais real do que fantasiosa. Só existe uma maneira de fugir dela: acreditar no seu sonho, traçar um plano de ação para realizá-lo com metas ou objetivos específicos e executá-lo pacientemente, sob o impulso do grande combustível que é a fé – “a prova das coisas que não se vêem e a firme certeza das coisas que se esperam”.

Quantas vezes basta um pequeno empurrãozinho ou uma breve espera para o que mais se deseja ficar completamente realizado?!...

Os que sofrem da “síndrome do medo da felicidade” desconhecem que quando algo se idealiza na mente já está realizado no mundo fenomênico, desde que haja um pouco de esforço e paciência para a semente germinar, porque a essência precede a existência. Só os materialistas acreditam no contrário, mas eles não são os maiores exemplos de felicidade.

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